
Boletim Econômico – Janeiro 2026
Balanço
O ano de 2025 encerrou com a inflação brasileira sob controle, fechando dentro do intervalo de tolerância da meta (4,26%), enquanto o mercado de capitais demonstrou resiliência em níveis elevados. Contudo, o cenário ainda exige cautela devido à manutenção da Selic em 15% e aos riscos geopolíticos. As principais perspectivas para o período serão ditadas pelo tom do comunicado do Copom sobre a possibilidade de cortes de juros, pela transição na política monetária do Fed e pela capacidade do mercado em absorver as incertezas externas sem comprometer o fluxo de capital estrangeiro.
Análise
Em dezembro de 2025, o IPCA registrou 0,33%, superando a taxa de novembro (0,18%). Apesar da alta mensal, este foi o menor resultado para um mês de dezembro desde 2018 (0,15%), evidenciando a eficácia da política monetária restritiva do Banco Central. Com isso, o índice oficial de inflação encerrou o ano com alta acumulada de 4,26% — um recuo de 0,57 ponto percentual em relação a 2024 (4,83%) e dentro do teto da meta (4,5%) estabelecida pelo CMN.
A grande expectativa do mercado para janeiro recai sobre a reunião do Copom. A aposta majoritária é pela manutenção da Selic em 15%, com as atenções voltadas ao tom do comunicado. Embora a maior parte dos analistas preveja o primeiro corte de juros apenas para março, ainda há projeções residuais, como a do Bank of America, de que o ciclo de flexibilização possa começar já na primeira reunião de 2026.
No cenário externo, a captura de Nicolás Maduro por forças dos EUA adiciona um componente de volatilidade geopolítica ao início do ano. Embora os efeitos imediatos nos mercados tenham sido limitados, os desdobramentos sobre governança, sanções e estabilidade regional serão determinantes para os preços do petróleo e os prêmios de risco na América Latina.
Paralelamente, os Estados Unidos podem voltar a atrair capital global de forma mais intensa. Após um longo período restritivo, a combinação de ciclos monetário e fiscal potencialmente mais expansionistas tende a beneficiar setores tradicionais da economia americana, extrapolando o domínio das empresas de tecnologia.
Situação dos mercados
Após renovar máximas históricas, a Bolsa brasileira acumulou ganho de 1,29% em dezembro e expressivos 33,95% no ano — o melhor desempenho anual desde 2016. A expectativa é que o otimismo persista em janeiro. A perspectiva de queda de juros em 2026, somada ao fluxo de capital estrangeiro atraído pelo elevado juro real, deve sustentar o Ibovespa acima dos 160 mil pontos.
No câmbio, a tendência de valorização do Real permanece. Com a perspectiva de que a nova presidência do Fed adote cortes mais profundos nos juros, o dólar tende a perder força globalmente. No cenário global, o Euro se fortalece perante a moeda americana, impulsionado por apostas em juros elevados na Europa.
A perspectiva para janeiro será pautada pela expectativa de flexibilização monetária global e doméstica. Embora o desempenho da Bolsa em 2025 reflita um cenário favorável, o prêmio de risco e o câmbio continuam atrelados à disciplina fiscal. Investidores devem seguir monitorando ruídos políticos internos, as decisões do Fed e os desdobramentos dos conflitos geopolíticos.
Glossário
CMN – Conselho Monetário Nacional
Copom – Comitê de Política Monetária
Fed – Federal Reserve – Banco Central dos EUA
IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – indicador de inflação do Brasil.
Fonte: https://bbprevidencia.com.br/tecnoprev/blogbbp/boletim-economico/boletim-economico-janeiro-2026